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11052019
‘Coquetel’ de agrotóxicos é detectado na água das torneiras 2_foto10


Um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi detectado na água de abastecimento de São João da Boa Vista (SP) e outras 1.395 cidades brasileiras que tiveram amostras analisadas entre 2014 e 2017, o que indica que um em cada quatro municípios do País contém a água contaminada por pesticidas, segundo dados do Ministério da Saúde.


No período analisado, as empresas de abastecimento destes 1.396 municípios detectaram todos os 27 agrotóxicos que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.


Em São João, os 27 pesticidas foram detectados na água que abastece a cidade, embora nenhum apareça em concentração acima do limite considerado seguro no Brasil. Todavia, do total, 25 agrotóxicos detectados estão acima do limite considerado seguro na UE (União Europeia). (Vide quadro abaixo)


Além de São João, entre os locais com contaminação múltipla (com os 27 agrotóxicos) estão cidades da região sanjoanense como Aguaí, Caconde, Casa Branca, Divinolândia, Espírito Santo do Pinhal, Mococa, Santa Cruz das Palmeiras, São José do Rio Pardo, São Sebastião da Grama e Vargem Grande do Sul. Destes, Mococa é a única entre as cidades com um agrotóxico, o Clordano, detectado em concentração acima do limite considerado seguro no Brasil.


Tanto no Brasil como na União Europeia, o Clordano é proibido, tem classificação 1 (extremamente tóxico), é avaliado como altamente perigoso e está na lista da Pesticide Action Network (PAN). Para a UE, o pesticida é classificado como uma substância com evidências de causar distúrbios endócrinos, que afeta o sistema hormonal.


Os números, que já aparecem em várias publicações pelo Brasil, foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye, por meio da reportagem sob o titulo ‘Por trás do alimento’. As informações são parte do Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.


Os dados revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do País.


Segundo a reportagem, embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d’água.


Em um esforço conjunto, a Repórter Brasil, a Agência Pública e a organização suíça Public Eye fizeram um mapa interativo com os agrotóxicos encontrados em cada cidade. O mapa, que pode ser acessado pelo https://portrasdoalimento.info/agrotoxico-na-agua/ , traz inúmeros detalhes da investigação e revela, ainda, quais pesticidas estão acima do limite de segurança de acordo com a lei do Brasil e pela regulação europeia, onde fica a Public Eye.


‘Coquetel’ de agrotóxicos é detectado na água das torneiras Screenshot-portrasdoalimento.info-2019.05.09-11-58-13


Sabesp não descarta presença de pesticidas
Em nota, a Sabesp não descartou a presença dos agrotóxicos, mas informa que, em São João da Boa Vista, nenhuma substância foi encontrada na água distribuída em quantidade acima do que é permitido pela legislação brasileira e afirma que a água fornecida não está contaminada.


“A Companhia garante a segurança do abastecimento da população, por meio de testes diários realizados em laboratórios certificados pelos órgãos competentes. Sempre que necessário, para segurança da população, os testes são refeitos”, informou.


Segundo a Sabesp, a legislação brasileira do Ministério da Saúde estabelece parâmetros seguros de substâncias encontradas na água conforme definições da OMS (Organização Mundial de Saúde). “Para controlar isso, são realizados 90 tipos de testes e mais de 90 mil análises mensais que aferem turbidez, cor, cloro, coliformes fecais, metais, agrotóxicos, dentre outros”, comunicou.


Os relatórios de qualidade da água são enviados mensalmente ao Ministério da Saúde e também são disponibilizados às Vigilâncias Sanitárias dos municípios. Além disso, os clientes podem conhecer esses resultados na conta de água ou pelo site da Sabesp (www.sabesp.com.br).


Contaminação gera alarde entre profissionais da saúde
O retrato nacional da contaminação da água gerou alarde entre profissionais da saúde. “A situação é extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos à saúde da população”, afirmou a toxicologista e médica do Trabalho Virginia Dapper.


O tom foi o mesmo na reação da pesquisadora em saúde pública da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Pernambuco, Aline Gurgel: “dados alarmantes, representam sério risco para a saúde humana”.


Entre os agrotóxicos encontrados em mais de 80% dos testes, há cinco classificados como “prováveis cancerígenos” pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e seis apontados pela União Europeia como causadores de disfunções endócrinas, o que gera diversos problemas à saúde, como a puberdade precoce. Do total de 27 pesticidas na água dos brasileiros, 21 estão proibidos na União Europeia devido aos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente.


A falta de monitoramento também é um problema grave. Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931 não realizaram testes na sua água entre 2014 e 2017.


Coquetel tóxico provoca preocupação em especialistas
A mistura entre os diversos químicos foi um dos pontos que mais provocou preocupação entre os especialistas ouvidos na reportagem. O perigo é que a combinação de substâncias multiplique ou até mesmo gere novos efeitos. Essas reações já foram demonstradas em testes, afirma a química Cassiana Montagner, que pesquisa a contaminação da água no Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), de São Paulo.


“Mesmo que um agrotóxico não tenha efeito sobre a saúde humana, ele pode ter quando mistura com outra substância. A mistura é uma das nossas principais preocupações com os agrotóxicos na água”, explicou.


E os paulistas foram os que mais beberam esse coquetel nos últimos anos. O estado foi recordista em número de municípios onde todos os 27 agrotóxicos estavam na água. São mais de 500 cidades, incluindo a Grande São Paulo – Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André e Osasco – além da própria Capital. E algumas das mais populosas, como Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Sorocaba. O Paraná foi o segundo colocado, com coquetel presente em 326 cidades, seguido por Santa Catarina e Tocantins.
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